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CVE-2025-32433 — teste | Kitploit
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CVE-2025-32433

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CVE-2025-32433

Introdução

Este documento apresenta uma pesquisa sobre a vulnerabilidade CVE-2025-32433, que afeta a implementação do servidor SSH embutido na plataforma Erlang/OTP.
Essa vulnerabilidade consiste na possibilidade de execução remota de código arbitrário (Remote Code Execution, RCE) sem necessidade de autenticação e afeta várias ramificações do Erlang/OTP até a publicação dos patches:

  • versões 27 até 27.3.3
  • versões 26 até 26.2.5.11
  • versões 25 até 25.3.2.20

O Erlang/OTP é amplamente utilizado como base para sistemas distribuídos escaláveis e faz parte da stack de muitos projetos conhecidos (por exemplo, mensageiros, brokers de mensagens, serviços web de alta carga).
A presença de uma vulnerabilidade crítica de RCE na biblioteca SSH base coloca em risco a infraestrutura que utiliza Erlang/OTP como servidor ou componente com acesso SSH aberto.

Objetivo do relatório

Examinar passo a passo a vulnerabilidade e demonstrar o ciclo completo de pesquisa:

  1. Coleta e estruturação de materiais:
    Encontrar e sistematizar dados publicamente disponíveis sobre a CVE-2025-32433, descrever a essência e o possível impacto.

  2. Definição de CPE e condições de configuração:
    Apresentar a lista de CPE e as condições de configuração para as quais a vulnerabilidade é relevante.

  3. Desenvolvimento de PoC/Exploit:
    Criar e demonstrar um protótipo funcional de exploração em um ambiente de teste.

  4. Metodologias de verificação em massa segura:
    Descrever três formas de verificar hosts vulneráveis:

    • usando nuclei em modo ativo (dano mínimo durante a exploração);
    • usando nuclei em modo passivo (por versões de software ou sinais indiretos);
    • usando um script próprio em Python 3 (ou Go) com suporte a multithreading.

⚠️ Aviso Legal

Esta pesquisa é conduzida exclusivamente para fins educacionais e éticos e foi realizada apenas em um ambiente de teste controlado.
O autor não se responsabiliza por qualquer uso indevido das informações apresentadas.
Utilize estas informações somente para aprendizado e para melhorar a segurança dos seus sistemas.


Detalhes da vulnerabilidade

Erlang é uma linguagem de programação criada para construir sistemas altamente paralelos e tolerantes a falhas.
A sua plataforma Open Telecom Platform (OTP) é utilizada há muitos anos em infraestruturas críticas — das telecomunicações ao setor financeiro.

Erlang/OTP na indústria

Em ambientes de OT (tecnologia operacional) e em redes 5G, o Erlang/OTP é valorizado pela escalabilidade e pela capacidade de garantir a operação contínua de sistemas com o mínimo de indisponibilidade.
Para administração remota, essas redes frequentemente utilizam a implementação embutida de SSH no Erlang/OTP.
É exatamente isso que torna a vulnerabilidade CVE-2025-32433 especialmente perigosa para esses ambientes.

Essência do problema

A interação segura no Erlang/OTP é garantida pela sua própria implementação de SSH, que:

  • é responsável por conexões criptografadas,
  • transferência de arquivos,
  • e — o que é importante — execução de comandos.

A vulnerabilidade nessa implementação permite que um atacante com acesso à rede execute código arbitrário sem autenticação, criando uma ameaça direta aos ativos vulneráveis.

Escala de propagação

De acordo com varreduras globais pela internet (Cortex Xpanse, abril de 2025), os serviços SSH Erlang/OTP vulneráveis estão amplamente disponíveis na internet e operam não apenas nas portas padrão, mas também, por exemplo, na porta TCP 2222.
Essa porta é frequentemente utilizada por componentes obsoletos de automação industrial e pelo protocolo de mensagens implícitas Ethernet/IP, o que amplia o possível vetor de ataque.

A vulnerabilidade está associada às versões de SSH incluídas nos lançamentos do Erlang/OTP.
A disseminação de serviços vulneráveis em portas características de diversos setores forma uma superfície de ataque global significativa.

Setores mais afetados

A telemetria mostrou que mais de 85% das tentativas de exploração foram registradas em firewalls do segmento OT nas seguintes áreas:

  • Saúde
  • Agricultura
  • Mídia e indústria do entretenimento
  • Alta tecnologia

Ao mesmo tempo, apesar da alta dependência de OT, nos setores de:

  • serviços públicos,
  • energia,
  • mineração,
  • indústria aeroespacial e de defesa

não foram identificados fatores que contribuíssem para a propagação ativa dessa ameaça específica.

Particularidades por setor

  • Nas áreas de serviços profissionais e jurídicos, os acionamentos foram registrados predominantemente em redes de TI.
  • Nos setores de manufatura, comércio atacadista e varejista e serviços financeiros, os ataques foram distribuídos de forma aproximadamente igual entre os segmentos TI e OT, o que exige proteção abrangente.

Status da vulnerabilidade

  • Nível de gravidade: pontuação CVSS 3.1 10,0 (crítico) segundo os critérios da Offsec e Tenable. A complexidade de exploração é baixa, não exige credenciais nem interação do usuário.
  • Lista KEV: adicionada ao catálogo de vulnerabilidades conhecidas e exploradas (KEV) da CISA em 9 de junho de 2025, o que reforça a necessidade de correção urgente.

Produtos afetados e condições de configuração

Identificadores CPE

A CVE-2025-32433 está registrada na base NVD com os seguintes CPE típicos (Common Platform Enumeration):

  • cpe:2.3:a:erlang:otp:25:*:*:*:*:*:*:*
  • cpe:2.3:a:erlang:otp:26:*:*:*:*:*:*:*
  • cpe:2.3:a:erlang:otp:27:*:*:*:*:*:*:*

São consideradas vulneráveis as versões menores abaixo das seguintes versões de patch:

  • 25.x — até 25.3.2.20 inclusive
  • 26.x — até 26.2.5.11 inclusive
  • 27.x — até 27.3.3 inclusive

Condições em que a vulnerabilidade se manifesta

  • O host deve estar executando o daemon SSH embutido do Erlang/OTP (ssh:daemon/2), e não um openssh externo.
  • A porta SSH (padrão 22 ou personalizada, por exemplo 2222) deve estar acessível para conexões remotas a partir da rede do atacante.
  • No nível de configuração, não são necessários flags especiais — a vulnerabilidade está relacionada à lógica do protocolo no código Erlang/OTP, e não a opções específicas de ssh:daemon/2.
  • A autenticação pode ser qualquer (por senha, por chaves, etc.) — o bug é explorado antes da etapa de autenticação.

⚠️ Se o Erlang/OTP for utilizado apenas como biblioteca cliente, sem um servidor SSH ativo, ou se o servidor estiver isolado em uma rede fechada, a vulnerabilidade não é alcançável.


Visão técnica

A vulnerabilidade surge porque o servidor SSH embutido do Erlang/OTP processa incorretamente o processo de pré-autenticação.
Dois tipos de mensagens do protocolo de conexão desempenham um papel fundamental — SSH_MSG_CHANNEL_OPEN e SSH_MSG_CHANNEL_REQUEST.
De acordo com o padrão RFC 4254, essas mensagens devem ser aceitas somente após a autenticação bem-sucedida do usuário.
Qualquer tentativa de enviá-las antes deve levar imediatamente ao encerramento da conexão.
No caso da CVE-2025-32433, o daemon SSH não garante o cumprimento dessa regra, o que permite que um atacante abra um canal de sessão e envie uma solicitação exec com um comando arbitrário sem fornecer credenciais válidas.
Em outras palavras, isso leva à execução remota de código não autenticada (RCE) — o atacante consegue assumir o controle do servidor sem saber nome de usuário, senha ou chave.

diagram-placeholder-1

O protocolo SSH Connection opera sobre as camadas de transporte e autenticação do SSH.
Ele fornece funções de login interativo, execução remota de comandos e encaminhamento de portas.
Na implementação SSH vulnerável do Erlang/OTP, são exatamente essas duas mensagens — SSH_MSG_CHANNEL_OPEN e SSH_MSG_CHANNEL_REQUEST, necessárias para iniciar um canal e solicitar comandos — que se tornam o ponto de ataque:
o atacante pode enviar tráfego especialmente elaborado que engana o sistema para executar código arbitrário antes da conclusão da autenticação.

diagram-placeholder-2


PoC / Exploit

No âmbito da pesquisa, foi preparado um Proof-of-Concept funcional para a CVE-2025-32433.

Composição dos arquivos

  • CVE-2025-32433.py — script Python que monta manualmente pacotes SSH (SSH_MSG_KEXINIT, SSH_MSG_CHANNEL_OPEN, SSH_MSG_CHANNEL_REQUEST) e os envia antes da conclusão da autenticação.
    Isso permite, em versões vulneráveis do Erlang/OTP, executar um comando arbitrário no lado do servidor — no PoC, ele cria o arquivo /lab.txt com o texto cyberok.

  • ssh_server.erl — módulo Erlang mínimo que sobe o daemon SSH embutido do OTP na porta 2222. Ele é necessário apenas para demonstração e é executado dentro de um contêiner Docker.

  • Dockerfile — receita de construção do contêiner, na qual a versão especificada do Erlang/OTP é compilada automaticamente e o servidor SSH de teste é iniciado.

⚠️ Este PoC é destinado exclusivamente para testes locais e fins educacionais. Não utilizar em redes de produção ou redes públicas.


Teste local no Docker

  1. Construa a imagem: git clone https://github.com/iteride/CVE-2025-32433.git && cd CVE-2025-32433/POC/ && docker build -t cve-ssh . docker

  2. Execute a imagem

    root@kitploit:~
    docker run -d --name cve-ssh -p 2222:2222 cve-ssh
    
    
  3. Demonstração do POC poc


nuclei-template para verificação rápida

Verificação passiva

O template passivo procura sinais indiretos de vulnerabilidade, sem realizar ações reais de ataque.
Ele analisa apenas informações "superficiais" que o próprio serviço expõe:

  • banner da versão do Erlang/OTP,
  • cabeçalhos de resposta,
  • outros metadados abertos.

Se uma versão vulnerável for detectada (por exemplo, OTP 25.3.2.19 ou 26.2.5.10), o nuclei marca o host como potencialmente vulnerável.
⚠️ Essa abordagem é segura: nenhum pacote malicioso ou tentativa de exploração é realizado.

root@kitploit:~
nuclei -u 127.0.0.1:2222 -t erlang-passive.yaml

nuclei-passive


Verificação ativa

O template ativo executa uma simulação controlada de ataque:
ele envia pacotes SSH especialmente elaborados antes da autenticação e verifica se a vulnerabilidade é acionada.
Para registrar o fato da exploração, é utilizado o Interactsh — se o servidor remoto executou a solicitação maliciosa, um callback DNS aparecerá no painel do Interactsh.

✅ Esse teste confirma a possibilidade real de execução remota de código (RCE),
mas é realizado somente em um ambiente de teste isolado.

root@kitploit:~
nuclei -u 127.0.0.1:2222 -t erlang-active.yaml -code

nuclei-passive

Script multithread ⚡️

Diferenças em relação ao nuclei-template:

  1. O script funciona como o template ativo do nuclei, porém muito mais rápido.
  2. O script determina com muito mais precisão se o servidor é vulnerável, ao contrário do nuclei, que tem problemas com a análise do interactsh

Execução do script

⚠️ Antes de executar, certifique-se de que o interactsh-client esteja instalado e em execução

root@kitploit:~
python3  babyfon.py -f targets.txt -d your.interactsh_domain

babyfon

Após a execução, verifique as interações DNS no interactsh-client. (No exemplo, dois alvos são varridos: um é vulnerável, o outro já foi corrigido)

interactsh

Comparação de velocidade e precisão com nuclei ℹ️

  1. Nuclei:

nuclei_bad

  1. babyfon

babyfon

Conclusão dos testes:

  • A varredura com babyfon foi concluída em 0,95 segundos e também determinou corretamente que um dos hosts já estava atualizado e não era vulnerável.
  • A varredura com nuclei levou 9,9 segundos e mostrou erroneamente que ambos os hosts eram vulneráveis.
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